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por Dina Martins, em 28.05.20

Recomeço

Ontem terminei mais uma etapa do meu caminho; fechou-se um ciclo. Ultrapassei medos, desafiei limites, escalei mais uma parte da montanha da vida.

Hoje é um novo começo, tantas oportunidades me são mostradas, outros caminhos possíveis ou a continuação do mesmo, mais consciente, segura. Novos desafios, certamente; novas dificuldades, também. Portas abertas para um novo mundo à minha espera.

Ontem dancei, pulei, dei e recebi, sem intenção alguma, sem motivo aparente, sem preocupação, apenas a celebrar a vida, apenas a experienciar o momento.

Hoje fico, apenas fico, quieta, tão só e unicamente a apreciar tudo o que já percorri, as sementes que plantei, os frutos que recolhi. Hoje é dia de ficar... em paz, em harmonia com o Universo, só a desfrutar desta parte da minha longa e turbulenta caminhada.

Agradeço àqueles que me acompanharam durante esta etapa, aos que me guiaram, aos que caminharam ao meu lado, aos que ouviram os meus desabafos nos momentos de cansaço e desespero. Moram todos no meu coração.

Hoje simplesmente fico, observo, faço o balanço, em amor e gratidão; reunindo forças para começar uma nova etapa que se aproxima; em busca de crescimento, de saber e de consciência. 

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publicado às 13:55


por Dina Martins, em 30.09.19

O caminho

Caminhando descontraidamente pelo parque, Marta observava a beleza da paisagem envolvente.  Focava-se especialmente nos sons do entardecer; o barulho dos seus passos ao pisar a "terra batida", a diversidade de "cantares " das aves que esvoaçavam de pinheiro em pinheiro, a leve brisa que fazia movimentar as folhas e ramos de alguns arbustos. Para ela, tudo aquilo soava ao mais belo concerto tocado pela mãe natureza. Mais tarde, chegou à zona de sapal e parou por breves minutos. O cheiro familiar da maresia encheu a sua mente de memórias, da infância, adolescência e até da jovem adulta que foi. Mais uma vez, focou-se na variedade de sons, juntou o som da água que esvaziava nos regatos e apreciou os ainda quentes raios de sol do fim de tarde. Ali sentia-se em casa; naquele parque Marta sentia-se segura, preenchida por uma paz indescritível. Era como se estivesse em conexão perfeita com o universo, sem interferências.  O seu verdadeiro ser manifestava-se a cada passo que dava, com um sentimento incrível de felicidade. Naquele momento não tinha dúvidas de quem era, de qual o seu propósito neste planeta. Sabia exatamente tudo o que precisava saber, que caminho percorrer, o que precisava libertar para conseguir caminhar mais rápido. 

O sol estava já a esconder-se; era hora de regressar à realidade do mundo lá fora, cheio de desafios, bifurcações, decisões que mais tarde ou mais cedo teria de tomar.  Contudo, sabia que poderia voltar àquele mundo encantado sempre que precisasse. Todos os seres mágicos que viviam naquele pinhal estariam lá para a guiar, para a acolher e Marta, nesse dia, saiu daquele parque de coração cheio, de paz, amor, alegria, gratidão por mais um dia... de experiências, aprendizagens, de vida, neste planeta magnífico que nos acolhe sem nada exigir, que nos nutre e abriga; a nossa casa temporária chamada Terra.

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publicado às 16:33


por Dina Martins, em 22.09.19

Alegria

O dicionário define alegria como contentamento, satisfação, boa disposição, felicidade.

Onde vamos nós buscar a alegria tão essencial ao nosso bem-estar? Quando estamos felizes tudo é mais leve, fácil, fluído. De onde vem esse sentimento que nos nutre, ilumina nossos rostos, enche-nos de paz e harmonia? A bens materiais ou acontecimentos do exterior? Será? Será que só nos sentimos felizes se nossas ambições se concretizarem? Então porque é que depois de tudo acontecer como tínhamos previsto, passado pouco tempo, a euforia passa, a boa disposição desaparece? E lá voltamos nós ao mesmo registo de sempre, na busca incansável pela felicidade.

Se assim fosse, atingir a verdadeira felicidade seria utópico. Embora muitos de nós estejamos formatados para esta falsa verdade e, dado a isso, nunca consigamos sentir contentamento, satisfação, pelo menos por muito tempo, a verdadeira alegria, a real felicidade, consistente e duradoura, vem de dentro de cada um de nós, quando nos tornamos conscientes.

A felicidade está ao alcance de todos, basta virarmos as antenas para nós mesmos, para o nosso autoconhecimento, sem preguiça, sem desculpas, sem resistência, em franca aceitação. Basta que estejamos dispostos a embarcar numa longa viagem ao interior de nós próprios, na descoberta do verdadeiro ser de luz que há em cada ser humano. E, quando finalmente conseguimos atingir este estado de consciência, com trabalho, muito e árduo trabalho interior, aí tudo é mais fácil, tudo flui sem esforço e a felicidade brota, como olho de água subterrânea, que depois de percorrer um logo caminho, no interior da Terra, ressurge à superfície para nutrir aqueles que dela necessitam; a fonte duradoura de alegria.

É comigo mesma, explorando a extensa floresta das emoções escondidas, que reencontro, todos os dias, a alegria pura e duradoura, de dentro para fora, em constante gratidão para com a maior dádiva que todos recebemos, a dádiva da vida.

Então, questionam vocês, "nunca te sentes triste?!"

Claro que sim. O meu ego, tal como todos os outros, necessita de chamar a atenção, de dar nas vistas e dizer que está cá, criança carente que necessita de amor, segurança, conforto.

"Quando isso acontece a felicidade deixa de existir? O que fazes?"

O meu ego sou eu, faz parte de mim. Mascaro uma parte de mim? Finjo que não existe? Claro que não! Quando me sinto triste sei que é temporário, sei o que tenho de fazer. Acolho e aceito o meu ego, amo-o de coração e envolvo-o nos meus braços. Digo-lhe que nunca estará só nem desprotegido, faço-o sentir-se seguro. Choro a sua tristeza e seco-lhe as lágrimas. Aos poucos, vinda do interior do meu ser, a alegria regressa e ilumina a criança que eu acolho, desde que nasci e que a escolhi para me acompanhar nesta longa caminhada, a que chamamos viver.

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publicado às 17:36