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por Dina Martins, em 20.07.20

Celebração

Hoje celebro mais uma vez a vida. A vida que me foi dada como presente raro e único. A gratidão é imensa e sentida desde o mais profundo canto do meu ser, àqueles dois seres maravilhosos que, num ato de amor incondicional, me colocaram neste planeta e fizeram por mim tudo o que de melhor sabiam e podiam, em amor, sempre em amor…

Foi mais um ano de desafios que superei, outros que ainda estão por transpor; algumas viagens ao interior de mim mesma; a descoberta de novos caminhos, de novas oportunidades de crescimento; de lições a aprender neste novo mundo em mudança no qual navego. Não foi um ano fácil; foram muitas as mudanças, muitas das quais ainda estão a acontecer dentro e fora de mim, num planeta cansado, inquieto, que anseia mudar para se elevar, apesar da resistência humana em ganhar consciência. Mas não é dos outros que venho falar hoje. É de mim, do meu caminho árduo durante todos estes anos em que cá estou neste planeta. Fácil, não é, nunca foi, muito menos durante os anos em que andei perdida de mim; mais todos aqueles em que não sabia que caminho escolher; e tantos outros em que andei a vaguear pelas distrações que a vida humana nos proporciona. Agora eu sei que o difícil valeu a pena, que tudo foram lições, aprendizagens, que continuarão a haver enquanto houver vida.

Neste momento, em que já subi mais de metade da montanha da vida, consigo ter uma visão mais ampla e neutra de mim mesma, daquilo e daqueles que me rodeiam; sei que esta viagem ao centro de mim ainda não acabou; será necessário trepar, partir, suar, escalar as rochas mais altas e, simultaneamente, mais profundas, chorar, reviver e curar. Depois de tudo isto, agradecer e abraçar-me, por cada passo que dei, por cada labirinto que percorri, pelos passos que continuo a dar, pelos muros que derrubo, pelas vitórias conseguidas e… por tudo o que ainda virá.

Agora sei o que é a verdadeira gratidão; agora sei o que é ter uma vida significativa; agora sei o que é fazer a diferença e sei que sou diferente, todos nós somos, diferentes e únicos. Vocês sabem disso?!

Sei qual é o meu propósito, sei porque é que aqui estou; sei que vai ser difícil, sempre foi, mas vale sempre a pena.

Por tudo isto, em gratidão ao Universo, celebro hoje a vida, a minha vida significativa e preciosa.  

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publicado às 22:37


por Dina Martins, em 07.06.20

Gratidão

A primeira semana de junho… para a maioria, foi só mais uma semana; um dia igual ao outro, as notícias da situação do COVID-19, o trabalho que já cansa... e pouco mais. Para mim foi a semana em que dei os primeiros passos deste novo ciclo, ainda muito pequeninos, mas coloquei em ação saberes que adquiri. Venci medos, inseguranças e confiei, acreditei em mim; mais do que isso, acreditei ser capaz de trilhar este novo caminho que se mostra à minha frente, radioso, repleto de aventuras, mas também cheio de novos desafios completamente desconhecidos.

Hoje ultrapassei o meu primeiro desafio, deixei fluir, pedi ajuda ao Universo e recebi deste tudo o que mereço. A sensação de dever cumprido, de tudo estar no sítio certo, em harmonia com o que é para mim, é fantástica! E, se tinha dúvidas em relação a seguir este caminho, estas dissiparam-se hoje, tornando o percurso mais claro, sem nevoeiro.

Hoje sinto-me mais segura das minhas escolhas, do trajeto a seguir, sem pressas, vaidade ou ambições; apenas deixando fluir e aproveitando as oportunidades que a vida coloque no meu caminho.

Hoje cresci mais um pouco, amadureci, entrei em ação. A sensação de gratidão é imensa e preenche-me de um modo tal, que não tenho palavras para a descrever. Quero sim deixar o agradecimento de coração a quem me permitiu dar o primeiro passo desta minha nova caminhada. Espero sinceramente ter contribuído ou vir a contribuir para o seu crescimento pessoal e abertura de consciência. Para mim marcou a diferença entre um estado de: “não sei se é bem isto que eu quero…”, para a consciência de: “é assim que eu vou conseguir ajudar-me… ajudando os outros.”

Assim iniciei este mês de junho, com uma semana bastante atribulada, cheia de novidades, algumas desagradáveis, mas com Consciência, Confiança, Fé e Gratidão.

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publicado às 15:50


por Dina Martins, em 28.05.20

Criança Interior

Durante algumas horas, numa tarde quente de maio, voltei a ser criança. Brinquei, pulei, corri, dancei, livre, despreocupada, com outras crianças que ali estavam, com o mesmo propósito, viver.

A inocência dos nossos gestos, das nossas brincadeiras, encheu o meu coração de luz; alegria imensa que se propagou por todo o meu corpo e me fez rir, dançar e saltar.

Olhar para as outras crianças e vê-las igualmente em luz, felizes, deixou-me ainda mais repleta daquela imensa alegria que, naquela tarde de maio, transbordava por todos os poros da minha pele.

A música acalmou, tornou-se mais lenta, sentimental e nós, crianças em luz, ficámos, simplesmente ficámos, no olhar um do outro, num agradecimento mútuo por estarmos ali, presentes, no aqui e no agora, tão só e simplesmente a olhar, a contemplar a beleza, nos olhos do outro. No meu ser ainda reside a letra daquela música: "Alma, deixa eu ver sua alma, o Universo da alma..." Foi realmente um encontro de almas, livres, leves, inocentes, repletas de amor para dar e receber.

De coração cheio fiquei... senti acarinhada a minha criança interior e dei graças por tê-la ouvido chamar por mim, por tê-la mimado sem vergonha ou preconceito, sem escondê-la dos outros; muito pelo contrário, coloquei-a à vista de todos e gritei do interior do meu ser: "Vejam-me! Aqui estou eu, no melhor de mim; esta é quem eu sou, sem subterfúgios, sem medos, sem máscaras ou personagens. Esta criança sou eu, o verdadeiro eu." E é tão maravilhoso voltar a ser eu novamente! É um regresso a casa, à minha verdadeira e única casa, que mora dentro de mim.

No final da tarde foi o momento de me despedir das outras crianças e seguir o meu caminho. Se chorei?! Chorei certamente, tal como todas as crianças choram quando se despedem; mas naquele final de tarde, chorei de alegria, de emoção e gratidão, aos outros e a mim mesma, por me ter permitido à experiência, por me ter permitido crescer, sem, no entanto, ofuscar a minha criança interior.

Quero libertá-la mais vezes; fico expectante, a aguardar a próxima oportunidade, de brincar com outras crianças, desta forma genuína e plena de verdade, em amor.

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publicado às 14:55


por Dina Martins, em 28.05.20

Recomeço

Ontem terminei mais uma etapa do meu caminho; fechou-se um ciclo. Ultrapassei medos, desafiei limites, escalei mais uma parte da montanha da vida.

Hoje é um novo começo, tantas oportunidades me são mostradas, outros caminhos possíveis ou a continuação do mesmo, mais consciente, segura. Novos desafios, certamente; novas dificuldades, também. Portas abertas para um novo mundo à minha espera.

Ontem dancei, pulei, dei e recebi, sem intenção alguma, sem motivo aparente, sem preocupação, apenas a celebrar a vida, apenas a experienciar o momento.

Hoje fico, apenas fico, quieta, tão só e unicamente a apreciar tudo o que já percorri, as sementes que plantei, os frutos que recolhi. Hoje é dia de ficar... em paz, em harmonia com o Universo, só a desfrutar desta parte da minha longa e turbulenta caminhada.

Agradeço àqueles que me acompanharam durante esta etapa, aos que me guiaram, aos que caminharam ao meu lado, aos que ouviram os meus desabafos nos momentos de cansaço e desespero. Moram todos no meu coração.

Hoje simplesmente fico, observo, faço o balanço, em amor e gratidão; reunindo forças para começar uma nova etapa que se aproxima; em busca de crescimento, de saber e de consciência. 

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publicado às 13:55


por Dina Martins, em 29.10.19

Kira

Caminhando pela densa floresta kira observava atentamente. Eram imensas as árvores; a floresta transbordava de uma enorme variedade de formas de vida. A precisão dos seus movimentos era imprecionante! Que andaria a observar?

Uma gazela pára para se alimentar e Kira move-se silenciosamente por entre a vegetação para se aproximar do animal. . Ao longe, outros membros da sua tribo observam-na. Estarão a avaliá-la, ou a aprender as suas técnicas? Será ela capaz de obter alimento para a sua tribo? Uma jovem mulher,  magra, de longos cabelos negros, olhos escuros, pernas esguias, não muito alta. 

Kira acabou por matar a gazela e, imediatamente, ajoelhou-se junto do animal, já sem vida. Em ritual de agradecimento, Kira ergue as mãos para o céu e expressa gratidão ao espírito daquele ser por ter dado a vida para suprir a alimentação de toda uma tribo. Logo a seguir os restantes indígenas aproximam-se e levam o animal para a aldeia. Kira segue-os um pouco mais atrás. Superou mais uma prova. 

Chegada à pequena aldeia, as crianças rodeiam-na entusiasmadas. Querem ouvir a sua história. Alguns adultos que por ali passam também se aproximam para a ouvir. Kira transmite sabedoria e segurança. Salienta a importância e o respeito por aquela floresta que os acolhe, o respeito por todos os seres vivos que ali coabitam e a importância da sua preservação. Reforça a necessidade de caçar apenas para a sobrevivência. As crianças ouvem-na silenciosamente;  o brilho dos seus pequenos olhos castanhos expressa respeito e admiração. Após transmitir tudo o que lhe ia no coração, kira retirou - se para a sua tenda feita de palha e ali, sozinha, o seu semblante mudou. Parecia preocupada, ansiosa, insegura. As lágrimas começaram a escorrer-lhe pelo rosto. Estaria ela à altura de assumir tamanha responsabilidade? Os seus medos assombravam-lhe a mente. Porquê ela a escolhida se se existem outros bem mais velhos, com mais experiência de vida? 

À entrada da sua palhota a Anciã da tribo preparava-se para entrar. Uma mulher já muito idosa, de longos cabelos brancos e profundos olhos negros, rodeados por marcas da idade. Aproximou-se de kira com dificuldade. Felicitou-a pelos seus feitos  e frisou a sua sabedoria, coragem, bom senso e magnetismo pessoal. Apesar de ser mais jovem do que muitos dos elementos daquela tribo, Kira fora escolhida pela Anciã para a suceder quando chegasse a sua hora de deixar este planeta.

A Anciã tinha a certeza da sua escolha. A sua longa experiência de vida e a sua infinita sabedoria nunca a deixaram tomar uma decisão errada. Kira era a pessoa indicada para proteger e orientar a sua tribo, garantindo a sua sobrevivência.

A Anciã pousou a mão no ombro de Kira para acalmá-la. "Confia em ti", disse, "acredita em ti, nas imensas potencialidades com que nasceste; confia Kira." Após transmitir esta mensagem, a Anciã retirou-se para descansar; estava já muito debilitada.

Alguns meses depois, o inevitável aconteceu. Kira assumiu o seu papel na tribo. Todos a aceitaram e respeitaram.

Kira nunca constituiu a sua própria família. A sua prioridade foi garantir a sobrevivência e o bem-estar da sua tribo. Treinava os mais novos e transmitia-lhes valores fundamentais, de respeito e gratidão. Apesar de nunca ter experienciado a maternidade, Kira protegia arduamente as mães e crianças da sua tribo. Kira nunca teve a sua família mas fazia parte de todas as famílias daquela comunidade. O seu propósito fora conseguido. Kira envelheceu rodeada de amor, compaixão, respeito, por tudo o que foi, é e será até ao seu último dia neste planeta, grata por cada minuto da sua maravilhosa vida.

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publicado às 17:13


por Dina Martins, em 08.09.19

Rosas

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Aos catorze, quinze anos escrevi o seguinte texto:

"Rosas brancas, coloridas...

Que dão alegria à vida. 

Rosa, sinal de amor. 

Que lindo botão de flor!

Quem ama e quer demonstrar, 

Uma rosa deve oferecer, 

Para o seu amor provar

E a sua paixão crescer. 

Rosa branca, linda rosa!

Rosa branca de encantar. 

Há quem ofereça uma rosa 

Para no amor triunfar. 

Se tu não gostas de rosas, 

Deves passar a gostar, 

Porque quem não gosta delas, 

Nunca ninguém vai amar.

E acabo este poema, 

Sobre estas lindas flores. 

Por agora despeço-me, adeus.

Uma rosa para os meus amores. "

 

Na altura, na imaturidade da adolescência, não fazia a mínima ideia do significado que teria na minha vida estas flores magníficas.  Ao contrário do que pensava, rosas não simbolizam apenas o amor entre um casal.  Na verdade, estas flores místicas representam muito mais do que isso. O seu simbolismo é muito mais abrangente e universal. Rosa é gratidão, é amor incondicional, é compaixão e desapego, é o laço que estabelecemos com a mãe, desde que fomos gerados, é consciência. Rosa é um mundo totalmente novo que se abriu perante os meus olhos, totalmente diferente, neutro, curador. Tenho tanto a aprender neste novo mundo, tanta informação a receber, tanto que fazer. Há bem pouco tempo que despertei para a magnificência deste mundo maravilhoso, que se coloca no meu caminho, todos os dias. O poder das rosas. 

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publicado às 13:55


por Dina Martins, em 03.09.19

No teu sorriso

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No teu sorriso de criança, genuíno, inocente, simples, vi um mundo de possibilidades. Os teus olhos pequeninos fechavam ainda mais quando as tuas bochechinhas se levantavam quando sorrias. Tudo te fazia sorrir, a face enternecida da mãe ou as gracinhas que faziam à tua frente, só para te ver esboçar aquele lindo e radioso sorriso, típico da inocência. Sorrias porque sim, apenas e unicamente por estares grata, por estares aqui, viva, aos cuidados dos teus pais. 

Mais tarde, ainda criança, o teu sorriso tornou-se cada vez mais tímido, mais subtil e apagado, como se não quisesses que dessem pela tua existência. Chegaste a pensar: "são os outros que me tiram o sorriso, com as suas observações, juízos de valor ". Mas agora sabes que não. Tu fazias tudo isso a ti mesma, nunca foram os outros, mas tu que boicotaste o teu sorriso. 

O tempo passou e o teu sorriso começou a servir como máscara dos teus pensamentos. Escondias-te atrás do teu sorriso, tímido e subtil, desejando que ninguém te lesse os olhos. Tu própria te auto descreveste como: "a outra face - aparentemente alguém feliz...".

O que é que te faltava? Perguntaste a ti mesma. E foste encontrando razões para as tuas faltas.  E acreditaste piamente que assim era. Na verdade, nunca te faltou nada; na realidade, tu tens tudo dentro de ti. A única e mesma coisa que sempre te faltou foi consciência. Consciência de que és um ser único no universo, o teu sorriso é igualmente único, radioso, inocente e maroto, simultaneamente. O teu sorriso é: "o teu cartão de visita", como alguém te disse certo dia.  E  ele só te pede que o ames, que o acolhas, que o uses mais vezes, para que assim possas acordar o teu verdadeiro eu, aquele da criança que foste,  deitada naquele berço, que simplesmente olhava e sorria, grata por estar viva, grata por estar aqui, grata por ser quem sou. 

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publicado às 23:31