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por Dina Martins, em 14.09.19

Prometo amar-te

Nasceste frágil, pequenina; a tua pele rosada; os teus pezinhos sapudos com aquele sinal tão bem delineado, mesmo no centro da covinha de um dos teus pés. Após alguns meses já falavas, ainda mesmo antes de conseguires andar.  A tua mãe dizia: "ela explica-se tão bem! Parece uma mulherzinha! " 

Cresceste. Foram-te impondo regras, códigos de sociedade. "Não faças isso que é feio! ", não faças aquilo, porque as meninas não fazem! ", "essas brincadeiras não, que são só para rapazes. "

Não, não, não! O não cresceu na tua cabeça e inibiu a tua criatividade, a tua capacidade de ver a vida com os olhos inocentes e despreocupados de uma criança. 

Eu sei que fizeste o melhor que sabias e que podias. Também a ti te impuseram padrões desde muito cedo. Ficaram tão entranhados como certos, que quiseste passá-los à tua filha como se fossem a tua verdade. Na realidade não eram, foram-te apenas impostos, tal como os impuseram aos teus pais. Um círculo vicioso ao longo de gerações, que te impediram de ver mais além, de viver a tua verdadeira verdade, de seres tu mesma.  Foste uma mãe coragem, uma heroína capaz de lutar contra ventos e tempestades, tudo pelos teus filhos. Mas nunca lutaste por ti mesma, nunca quiseste ir mais além, por ti, apenas por ti. Pelos teus filhos moveste oceanos e montanhas, mas por ti... nada. Estás de parabéns pelos valores que lhes passaste, pelo amor que lhes deste.  Mas e tu? Alguma vez amaste a ti mesma? Alguma vez deste valor a ti mesma? 

A tua filha, aquela criança roliça e pequenina, seguiu exatamente os teus padrões até há bem pouco tempo, já mulher adulta. Muitas vezes, inconsciente, ainda os segue. Mas depois de anos e anos a nadar contra a corrente, tomou consciência de que não pode continuar assim, a seguir padrões, verdades impostas por uma sociedade fechada e cega, de há muitos anos atrás.

A tua filha finalmente quis fluir com o universo, com as leis da abundância, do amor universal e para isso, tão simplesmente, foi preciso voltar a amar-se a si mesma, voltar a cuidar de si, não pelos outros, mas por si.  E tenho a certeza que tu aí onde estás, na tua ampla consciência, tens muito orgulho naquilo em que ela se está a transformar.  

Ela amar-vos-á para todo sempre, mas continuará a quebrar muralhas e padrões, a mover céus e terras, mas por si, apenas por si, pelo amor incondicional a si mesma. E eu prometo amá-la durante esta longa caminhada, independentemente dos erros que cometer, dos desafios que superar, dos retrocessos que fizer, amá-la-ei por toda a eternidade.

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publicado às 16:39


por Dina Martins, em 03.09.19

No teu sorriso

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No teu sorriso de criança, genuíno, inocente, simples, vi um mundo de possibilidades. Os teus olhos pequeninos fechavam ainda mais quando as tuas bochechinhas se levantavam quando sorrias. Tudo te fazia sorrir, a face enternecida da mãe ou as gracinhas que faziam à tua frente, só para te ver esboçar aquele lindo e radioso sorriso, típico da inocência. Sorrias porque sim, apenas e unicamente por estares grata, por estares aqui, viva, aos cuidados dos teus pais. 

Mais tarde, ainda criança, o teu sorriso tornou-se cada vez mais tímido, mais subtil e apagado, como se não quisesses que dessem pela tua existência. Chegaste a pensar: "são os outros que me tiram o sorriso, com as suas observações, juízos de valor ". Mas agora sabes que não. Tu fazias tudo isso a ti mesma, nunca foram os outros, mas tu que boicotaste o teu sorriso. 

O tempo passou e o teu sorriso começou a servir como máscara dos teus pensamentos. Escondias-te atrás do teu sorriso, tímido e subtil, desejando que ninguém te lesse os olhos. Tu própria te auto descreveste como: "a outra face - aparentemente alguém feliz...".

O que é que te faltava? Perguntaste a ti mesma. E foste encontrando razões para as tuas faltas.  E acreditaste piamente que assim era. Na verdade, nunca te faltou nada; na realidade, tu tens tudo dentro de ti. A única e mesma coisa que sempre te faltou foi consciência. Consciência de que és um ser único no universo, o teu sorriso é igualmente único, radioso, inocente e maroto, simultaneamente. O teu sorriso é: "o teu cartão de visita", como alguém te disse certo dia.  E  ele só te pede que o ames, que o acolhas, que o uses mais vezes, para que assim possas acordar o teu verdadeiro eu, aquele da criança que foste,  deitada naquele berço, que simplesmente olhava e sorria, grata por estar viva, grata por estar aqui, grata por ser quem sou. 

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publicado às 23:31