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por Dina Martins, em 04.08.20

Quando me tocam a alma...

Quando me tocam a alma… todo o Universo flui dentro de mim. Fecho os olhos e sinto-me como parte do todo, como se o limite do corpo não existisse, como se as partículas que o constituem comunicassem umas com as outras e com o todo simultaneamente, emitindo luz. Nesse preciso momento elas deixam de ser partículas e são apenas energia.

E o que é necessário para me tocarem a alma? Apenas e tão só amor incondicional; um gesto simples como escovar o pelo do meu gato, o qual dá cada dia da sua vida por mim, apenas por mim, pelo seu serviço incondicional ao meu crescimento, ao meu bem-estar. Não vou dizer que não me causa dor vê-lo simplesmente dar, dar a sua saúde, a sua vida, para a minha proteção, quando eu nada consigo fazer para o proteger  verdadeiramente, para lhe trazer de volta a saúde que já perdeu. O que faço eu para retribuir? Escovo o seu pelo, algo que ele adora. Aquele pequeno gesto, aqueles minutos de atenção, de amor, que lhe dedico enquanto come, é para ele algo único e especial; e ele aprecia como se fosse o maior tesouro que lhe é oferecido; come mais um pouco, retribuindo o meu gesto com umas “lambidelas e marradinhas” na mão que o escova. Para ele aquele gesto é amor, ao qual corresponde com amor. Instintivamente ele vive para mim e por mim, a sua tutora com a qual honra o seu acordo de alma enquanto cá estiver neste mundo, ao serviço, ao meu serviço, sem nada exigir em troca. Por isso, tudo o que recebe é para ele extraordinário. E porquê? Porque ele nada espera, nada exige, apenas cumpre a sua função silenciosamente, em amor, até ao dia de partir.

E a ti, o que é que te toca a alma? Não precisas dizer-me; guarda para ti. Mas atenção a algo muito importante! Não confundas “tocar de alma” com “tocar de ego”. Não confundas amor com apego. Muito do que nós esperamos dos outros, por vezes até exigimos, silenciosamente ou não, não é amor mas apego. A satisfação que sentimos quando alguém que supostamente amamos faz aquilo pelo qual há muito tempo esperamos, é apenas o acariciar do nosso ego, as chamadas “festas no ego”, as quais sabem tão bem neste nosso estado de carência e inconsciência em que vivemos.

Então, como distinguir o “tocar de ego” do “tocar de alma”? Fecha os olhos e sente, por breves momentos, por minutos, o que te fizer mais sentido. Sentes-te em conexão com o todo, com o Universo? Ou, o estado em que estás depende do que é que os outros vão fazer a seguir, de acordo com as tuas espectativas? Ou, naquele momento, de olhos fechados, simplesmente estás, sem os limites ou limitações do teu corpo, sem as exigências do teu ego? Entendes agora a diferença?

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publicado às 22:41