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por Dina Martins, em 28.05.20

Criança Interior

Durante algumas horas, numa tarde quente de maio, voltei a ser criança. Brinquei, pulei, corri, dancei, livre, despreocupada, com outras crianças que ali estavam, com o mesmo propósito, viver.

A inocência dos nossos gestos, das nossas brincadeiras, encheu o meu coração de luz; alegria imensa que se propagou por todo o meu corpo e me fez rir, dançar e saltar.

Olhar para as outras crianças e vê-las igualmente em luz, felizes, deixou-me ainda mais repleta daquela imensa alegria que, naquela tarde de maio, transbordava por todos os poros da minha pele.

A música acalmou, tornou-se mais lenta, sentimental e nós, crianças em luz, ficámos, simplesmente ficámos, no olhar um do outro, num agradecimento mútuo por estarmos ali, presentes, no aqui e no agora, tão só e simplesmente a olhar, a contemplar a beleza, nos olhos do outro. No meu ser ainda reside a letra daquela música: "Alma, deixa eu ver sua alma, o Universo da alma..." Foi realmente um encontro de almas, livres, leves, inocentes, repletas de amor para dar e receber.

De coração cheio fiquei... senti acarinhada a minha criança interior e dei graças por tê-la ouvido chamar por mim, por tê-la mimado sem vergonha ou preconceito, sem escondê-la dos outros; muito pelo contrário, coloquei-a à vista de todos e gritei do interior do meu ser: "Vejam-me! Aqui estou eu, no melhor de mim; esta é quem eu sou, sem subterfúgios, sem medos, sem máscaras ou personagens. Esta criança sou eu, o verdadeiro eu." E é tão maravilhoso voltar a ser eu novamente! É um regresso a casa, à minha verdadeira e única casa, que mora dentro de mim.

No final da tarde foi o momento de me despedir das outras crianças e seguir o meu caminho. Se chorei?! Chorei certamente, tal como todas as crianças choram quando se despedem; mas naquele final de tarde, chorei de alegria, de emoção e gratidão, aos outros e a mim mesma, por me ter permitido à experiência, por me ter permitido crescer, sem, no entanto, ofuscar a minha criança interior.

Quero libertá-la mais vezes; fico expectante, a aguardar a próxima oportunidade, de brincar com outras crianças, desta forma genuína e plena de verdade, em amor.

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publicado às 14:55


por Dina Martins, em 19.10.19

Dançar

De acordo com o conceito, dançar é mover o corpo segundo as regras da dança, oscilar, saltar. Tudo isso está logicamente correto, mas dançar, de alma e coração, é muito mais do que um conjunto de movimentos lógicos. É voar pelo infinito, pairar entre as estrelas, libertar o corpo numa viagem de movimentos, brincadeiras, sorrisos, emoções.
A música toca alegremente e nossos corpos movem-se, com um enlaçar de dedos e um abraço, umas vezes fechado outras aberto, tal como o ritmo de nossos corações o determina. Os pés deslocam-se em sintonia, ora aproximando-se ora afastando-se, num jogo que nos permite acompanhar o ritmo da música. Movimentos mágicos que nos trazem alegria, verdadeira felicidade; que nos fazem sentir quem somos. Tudo o resto deixa de existir e, naquele momento único, só la estamos nós e a música, nada mais.
Meu corpo sabe exatamente o que fazer, não necessita de pensar, apenas sentir; sentir sintonia com o par, sentir a melodia e deixar-se fluir, libertando-se numa fusão de emoções, movimentos, ora suaves ora enérgicos. E as pausas… as suspensões… os silêncios… por breves segundos fazem-nos regressar, assentar os pés na Terra, para depois nos deslocarmos para uma nova viagem, ainda mais alucinante, “ao infinito e mais além!”, onde a nossa criança interior pode dar asas à sua imaginação, pode construir, desconstruir e recomeçar de novo, sem medos, sem críticas, sem limitações. Tudo é possível neste mundo encantado. É para lá que regresso sempre que uma boa música preenche as minhas células, fazendo-as vibrar em sintonia com o Universo.

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publicado às 18:13


por Dina Martins, em 22.09.19

Alegria

O dicionário define alegria como contentamento, satisfação, boa disposição, felicidade.

Onde vamos nós buscar a alegria tão essencial ao nosso bem-estar? Quando estamos felizes tudo é mais leve, fácil, fluído. De onde vem esse sentimento que nos nutre, ilumina nossos rostos, enche-nos de paz e harmonia? A bens materiais ou acontecimentos do exterior? Será? Será que só nos sentimos felizes se nossas ambições se concretizarem? Então porque é que depois de tudo acontecer como tínhamos previsto, passado pouco tempo, a euforia passa, a boa disposição desaparece? E lá voltamos nós ao mesmo registo de sempre, na busca incansável pela felicidade.

Se assim fosse, atingir a verdadeira felicidade seria utópico. Embora muitos de nós estejamos formatados para esta falsa verdade e, dado a isso, nunca consigamos sentir contentamento, satisfação, pelo menos por muito tempo, a verdadeira alegria, a real felicidade, consistente e duradoura, vem de dentro de cada um de nós, quando nos tornamos conscientes.

A felicidade está ao alcance de todos, basta virarmos as antenas para nós mesmos, para o nosso autoconhecimento, sem preguiça, sem desculpas, sem resistência, em franca aceitação. Basta que estejamos dispostos a embarcar numa longa viagem ao interior de nós próprios, na descoberta do verdadeiro ser de luz que há em cada ser humano. E, quando finalmente conseguimos atingir este estado de consciência, com trabalho, muito e árduo trabalho interior, aí tudo é mais fácil, tudo flui sem esforço e a felicidade brota, como olho de água subterrânea, que depois de percorrer um logo caminho, no interior da Terra, ressurge à superfície para nutrir aqueles que dela necessitam; a fonte duradoura de alegria.

É comigo mesma, explorando a extensa floresta das emoções escondidas, que reencontro, todos os dias, a alegria pura e duradoura, de dentro para fora, em constante gratidão para com a maior dádiva que todos recebemos, a dádiva da vida.

Então, questionam vocês, "nunca te sentes triste?!"

Claro que sim. O meu ego, tal como todos os outros, necessita de chamar a atenção, de dar nas vistas e dizer que está cá, criança carente que necessita de amor, segurança, conforto.

"Quando isso acontece a felicidade deixa de existir? O que fazes?"

O meu ego sou eu, faz parte de mim. Mascaro uma parte de mim? Finjo que não existe? Claro que não! Quando me sinto triste sei que é temporário, sei o que tenho de fazer. Acolho e aceito o meu ego, amo-o de coração e envolvo-o nos meus braços. Digo-lhe que nunca estará só nem desprotegido, faço-o sentir-se seguro. Choro a sua tristeza e seco-lhe as lágrimas. Aos poucos, vinda do interior do meu ser, a alegria regressa e ilumina a criança que eu acolho, desde que nasci e que a escolhi para me acompanhar nesta longa caminhada, a que chamamos viver.

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publicado às 17:36