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por Dina Martins, em 22.09.19

Alegria

O dicionário define alegria como contentamento, satisfação, boa disposição, felicidade.

Onde vamos nós buscar a alegria tão essencial ao nosso bem-estar? Quando estamos felizes tudo é mais leve, fácil, fluído. De onde vem esse sentimento que nos nutre, ilumina nossos rostos, enche-nos de paz e harmonia? A bens materiais ou acontecimentos do exterior? Será? Será que só nos sentimos felizes se nossas ambições se concretizarem? Então porque é que depois de tudo acontecer como tínhamos previsto, passado pouco tempo, a euforia passa, a boa disposição desaparece? E lá voltamos nós ao mesmo registo de sempre, na busca incansável pela felicidade.

Se assim fosse, atingir a verdadeira felicidade seria utópico. Embora muitos de nós estejamos formatados para esta falsa verdade e, dado a isso, nunca consigamos sentir contentamento, satisfação, pelo menos por muito tempo, a verdadeira alegria, a real felicidade, consistente e duradoura, vem de dentro de cada um de nós, quando nos tornamos conscientes.

A felicidade está ao alcance de todos, basta virarmos as antenas para nós mesmos, para o nosso autoconhecimento, sem preguiça, sem desculpas, sem resistência, em franca aceitação. Basta que estejamos dispostos a embarcar numa longa viagem ao interior de nós próprios, na descoberta do verdadeiro ser de luz que há em cada ser humano. E, quando finalmente conseguimos atingir este estado de consciência, com trabalho, muito e árduo trabalho interior, aí tudo é mais fácil, tudo flui sem esforço e a felicidade brota, como olho de água subterrânea, que depois de percorrer um logo caminho, no interior da Terra, ressurge à superfície para nutrir aqueles que dela necessitam; a fonte duradoura de alegria.

É comigo mesma, explorando a extensa floresta das emoções escondidas, que reencontro, todos os dias, a alegria pura e duradoura, de dentro para fora, em constante gratidão para com a maior dádiva que todos recebemos, a dádiva da vida.

Então, questionam vocês, "nunca te sentes triste?!"

Claro que sim. O meu ego, tal como todos os outros, necessita de chamar a atenção, de dar nas vistas e dizer que está cá, criança carente que necessita de amor, segurança, conforto.

"Quando isso acontece a felicidade deixa de existir? O que fazes?"

O meu ego sou eu, faz parte de mim. Mascaro uma parte de mim? Finjo que não existe? Claro que não! Quando me sinto triste sei que é temporário, sei o que tenho de fazer. Acolho e aceito o meu ego, amo-o de coração e envolvo-o nos meus braços. Digo-lhe que nunca estará só nem desprotegido, faço-o sentir-se seguro. Choro a sua tristeza e seco-lhe as lágrimas. Aos poucos, vinda do interior do meu ser, a alegria regressa e ilumina a criança que eu acolho, desde que nasci e que a escolhi para me acompanhar nesta longa caminhada, a que chamamos viver.

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publicado às 17:36