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por Dina Martins, em 19.10.19

Dançar

De acordo com o conceito, dançar é mover o corpo segundo as regras da dança, oscilar, saltar. Tudo isso está logicamente correto, mas dançar, de alma e coração, é muito mais do que um conjunto de movimentos lógicos. É voar pelo infinito, pairar entre as estrelas, libertar o corpo numa viagem de movimentos, brincadeiras, sorrisos, emoções.
A música toca alegremente e nossos corpos movem-se, com um enlaçar de dedos e um abraço, umas vezes fechado outras aberto, tal como o ritmo de nossos corações o determina. Os pés deslocam-se em sintonia, ora aproximando-se ora afastando-se, num jogo que nos permite acompanhar o ritmo da música. Movimentos mágicos que nos trazem alegria, verdadeira felicidade; que nos fazem sentir quem somos. Tudo o resto deixa de existir e, naquele momento único, só la estamos nós e a música, nada mais.
Meu corpo sabe exatamente o que fazer, não necessita de pensar, apenas sentir; sentir sintonia com o par, sentir a melodia e deixar-se fluir, libertando-se numa fusão de emoções, movimentos, ora suaves ora enérgicos. E as pausas… as suspensões… os silêncios… por breves segundos fazem-nos regressar, assentar os pés na Terra, para depois nos deslocarmos para uma nova viagem, ainda mais alucinante, “ao infinito e mais além!”, onde a nossa criança interior pode dar asas à sua imaginação, pode construir, desconstruir e recomeçar de novo, sem medos, sem críticas, sem limitações. Tudo é possível neste mundo encantado. É para lá que regresso sempre que uma boa música preenche as minhas células, fazendo-as vibrar em sintonia com o Universo.

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publicado às 18:13


por Dina Martins, em 30.09.19

O caminho

Caminhando descontraidamente pelo parque, Marta observava a beleza da paisagem envolvente.  Focava-se especialmente nos sons do entardecer; o barulho dos seus passos ao pisar a "terra batida", a diversidade de "cantares " das aves que esvoaçavam de pinheiro em pinheiro, a leve brisa que fazia movimentar as folhas e ramos de alguns arbustos. Para ela, tudo aquilo soava ao mais belo concerto tocado pela mãe natureza. Mais tarde, chegou à zona de sapal e parou por breves minutos. O cheiro familiar da maresia encheu a sua mente de memórias, da infância, adolescência e até da jovem adulta que foi. Mais uma vez, focou-se na variedade de sons, juntou o som da água que esvaziava nos regatos e apreciou os ainda quentes raios de sol do fim de tarde. Ali sentia-se em casa; naquele parque Marta sentia-se segura, preenchida por uma paz indescritível. Era como se estivesse em conexão perfeita com o universo, sem interferências.  O seu verdadeiro ser manifestava-se a cada passo que dava, com um sentimento incrível de felicidade. Naquele momento não tinha dúvidas de quem era, de qual o seu propósito neste planeta. Sabia exatamente tudo o que precisava saber, que caminho percorrer, o que precisava libertar para conseguir caminhar mais rápido. 

O sol estava já a esconder-se; era hora de regressar à realidade do mundo lá fora, cheio de desafios, bifurcações, decisões que mais tarde ou mais cedo teria de tomar.  Contudo, sabia que poderia voltar àquele mundo encantado sempre que precisasse. Todos os seres mágicos que viviam naquele pinhal estariam lá para a guiar, para a acolher e Marta, nesse dia, saiu daquele parque de coração cheio, de paz, amor, alegria, gratidão por mais um dia... de experiências, aprendizagens, de vida, neste planeta magnífico que nos acolhe sem nada exigir, que nos nutre e abriga; a nossa casa temporária chamada Terra.

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publicado às 16:33


por Dina Martins, em 22.09.19

Alegria

O dicionário define alegria como contentamento, satisfação, boa disposição, felicidade.

Onde vamos nós buscar a alegria tão essencial ao nosso bem-estar? Quando estamos felizes tudo é mais leve, fácil, fluído. De onde vem esse sentimento que nos nutre, ilumina nossos rostos, enche-nos de paz e harmonia? A bens materiais ou acontecimentos do exterior? Será? Será que só nos sentimos felizes se nossas ambições se concretizarem? Então porque é que depois de tudo acontecer como tínhamos previsto, passado pouco tempo, a euforia passa, a boa disposição desaparece? E lá voltamos nós ao mesmo registo de sempre, na busca incansável pela felicidade.

Se assim fosse, atingir a verdadeira felicidade seria utópico. Embora muitos de nós estejamos formatados para esta falsa verdade e, dado a isso, nunca consigamos sentir contentamento, satisfação, pelo menos por muito tempo, a verdadeira alegria, a real felicidade, consistente e duradoura, vem de dentro de cada um de nós, quando nos tornamos conscientes.

A felicidade está ao alcance de todos, basta virarmos as antenas para nós mesmos, para o nosso autoconhecimento, sem preguiça, sem desculpas, sem resistência, em franca aceitação. Basta que estejamos dispostos a embarcar numa longa viagem ao interior de nós próprios, na descoberta do verdadeiro ser de luz que há em cada ser humano. E, quando finalmente conseguimos atingir este estado de consciência, com trabalho, muito e árduo trabalho interior, aí tudo é mais fácil, tudo flui sem esforço e a felicidade brota, como olho de água subterrânea, que depois de percorrer um logo caminho, no interior da Terra, ressurge à superfície para nutrir aqueles que dela necessitam; a fonte duradoura de alegria.

É comigo mesma, explorando a extensa floresta das emoções escondidas, que reencontro, todos os dias, a alegria pura e duradoura, de dentro para fora, em constante gratidão para com a maior dádiva que todos recebemos, a dádiva da vida.

Então, questionam vocês, "nunca te sentes triste?!"

Claro que sim. O meu ego, tal como todos os outros, necessita de chamar a atenção, de dar nas vistas e dizer que está cá, criança carente que necessita de amor, segurança, conforto.

"Quando isso acontece a felicidade deixa de existir? O que fazes?"

O meu ego sou eu, faz parte de mim. Mascaro uma parte de mim? Finjo que não existe? Claro que não! Quando me sinto triste sei que é temporário, sei o que tenho de fazer. Acolho e aceito o meu ego, amo-o de coração e envolvo-o nos meus braços. Digo-lhe que nunca estará só nem desprotegido, faço-o sentir-se seguro. Choro a sua tristeza e seco-lhe as lágrimas. Aos poucos, vinda do interior do meu ser, a alegria regressa e ilumina a criança que eu acolho, desde que nasci e que a escolhi para me acompanhar nesta longa caminhada, a que chamamos viver.

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publicado às 17:36


por Dina Martins, em 22.09.19

O abraço

No calor do abraço a mãe embala o seu filho. No calor do abraço reencontramos aqueles que não vemos há muito. No calor do abraço dançamos pelo salão. 

Abraçar é dar e receber, é entregarmo-nos aos outros e a nós próprios, é abrir o nosso coração num ato de amor, só porque sim, apenas porque sim. É durante o abraço, genuíno, dado sem intenção alguma, que os corações se encontram e conversam entre si, de igual para igual, de alma para alma, de luz para luz. 

Experimentemos abraçar mais e estejamos atentos ao bem-estar que o abraço nos traz. É sentirmos proteger e estar protegidos, darmos segurança e estarmos seguros, leves, amados, confortáveis. Nada melhor que começar por abraçar a nós próprios, à nossa criança interior, que tantas vezes se sente frágil, suscetível, insegura. Ofereçamos a nós mesmos esse mimo que tanto merecemos e necessitamos, e façamos disso um hábito diário. Depois, só depois de nos sentirmos amados, poderemos partilhar todas essas sensações com os outros, ofertando tudo aquilo com que enchemos o nosso coração, no calor e no poder de um abraço.  E aí, nesse momento mágico, maravilhoso, tudo fica mais fácil, o sol fica mais brilhante, o céu mais azul, as árvores mais verdes e, de repente, os nossos corpos preenchem-se de luz, intensa, curadora, oriunda do efeito terapêutico de um abraço, dado de coração. 

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publicado às 16:50


por Dina Martins, em 14.09.19

Prometo amar-te

Nasceste frágil, pequenina; a tua pele rosada; os teus pezinhos sapudos com aquele sinal tão bem delineado, mesmo no centro da covinha de um dos teus pés. Após alguns meses já falavas, ainda mesmo antes de conseguires andar.  A tua mãe dizia: "ela explica-se tão bem! Parece uma mulherzinha! " 

Cresceste. Foram-te impondo regras, códigos de sociedade. "Não faças isso que é feio! ", não faças aquilo, porque as meninas não fazem! ", "essas brincadeiras não, que são só para rapazes. "

Não, não, não! O não cresceu na tua cabeça e inibiu a tua criatividade, a tua capacidade de ver a vida com os olhos inocentes e despreocupados de uma criança. 

Eu sei que fizeste o melhor que sabias e que podias. Também a ti te impuseram padrões desde muito cedo. Ficaram tão entranhados como certos, que quiseste passá-los à tua filha como se fossem a tua verdade. Na realidade não eram, foram-te apenas impostos, tal como os impuseram aos teus pais. Um círculo vicioso ao longo de gerações, que te impediram de ver mais além, de viver a tua verdadeira verdade, de seres tu mesma.  Foste uma mãe coragem, uma heroína capaz de lutar contra ventos e tempestades, tudo pelos teus filhos. Mas nunca lutaste por ti mesma, nunca quiseste ir mais além, por ti, apenas por ti. Pelos teus filhos moveste oceanos e montanhas, mas por ti... nada. Estás de parabéns pelos valores que lhes passaste, pelo amor que lhes deste.  Mas e tu? Alguma vez amaste a ti mesma? Alguma vez deste valor a ti mesma? 

A tua filha, aquela criança roliça e pequenina, seguiu exatamente os teus padrões até há bem pouco tempo, já mulher adulta. Muitas vezes, inconsciente, ainda os segue. Mas depois de anos e anos a nadar contra a corrente, tomou consciência de que não pode continuar assim, a seguir padrões, verdades impostas por uma sociedade fechada e cega, de há muitos anos atrás.

A tua filha finalmente quis fluir com o universo, com as leis da abundância, do amor universal e para isso, tão simplesmente, foi preciso voltar a amar-se a si mesma, voltar a cuidar de si, não pelos outros, mas por si.  E tenho a certeza que tu aí onde estás, na tua ampla consciência, tens muito orgulho naquilo em que ela se está a transformar.  

Ela amar-vos-á para todo sempre, mas continuará a quebrar muralhas e padrões, a mover céus e terras, mas por si, apenas por si, pelo amor incondicional a si mesma. E eu prometo amá-la durante esta longa caminhada, independentemente dos erros que cometer, dos desafios que superar, dos retrocessos que fizer, amá-la-ei por toda a eternidade.

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publicado às 16:39


por Dina Martins, em 08.09.19

Rosas

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Aos catorze, quinze anos escrevi o seguinte texto:

"Rosas brancas, coloridas...

Que dão alegria à vida. 

Rosa, sinal de amor. 

Que lindo botão de flor!

Quem ama e quer demonstrar, 

Uma rosa deve oferecer, 

Para o seu amor provar

E a sua paixão crescer. 

Rosa branca, linda rosa!

Rosa branca de encantar. 

Há quem ofereça uma rosa 

Para no amor triunfar. 

Se tu não gostas de rosas, 

Deves passar a gostar, 

Porque quem não gosta delas, 

Nunca ninguém vai amar.

E acabo este poema, 

Sobre estas lindas flores. 

Por agora despeço-me, adeus.

Uma rosa para os meus amores. "

 

Na altura, na imaturidade da adolescência, não fazia a mínima ideia do significado que teria na minha vida estas flores magníficas.  Ao contrário do que pensava, rosas não simbolizam apenas o amor entre um casal.  Na verdade, estas flores místicas representam muito mais do que isso. O seu simbolismo é muito mais abrangente e universal. Rosa é gratidão, é amor incondicional, é compaixão e desapego, é o laço que estabelecemos com a mãe, desde que fomos gerados, é consciência. Rosa é um mundo totalmente novo que se abriu perante os meus olhos, totalmente diferente, neutro, curador. Tenho tanto a aprender neste novo mundo, tanta informação a receber, tanto que fazer. Há bem pouco tempo que despertei para a magnificência deste mundo maravilhoso, que se coloca no meu caminho, todos os dias. O poder das rosas. 

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publicado às 13:55


por Dina Martins, em 03.09.19

No teu sorriso

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No teu sorriso de criança, genuíno, inocente, simples, vi um mundo de possibilidades. Os teus olhos pequeninos fechavam ainda mais quando as tuas bochechinhas se levantavam quando sorrias. Tudo te fazia sorrir, a face enternecida da mãe ou as gracinhas que faziam à tua frente, só para te ver esboçar aquele lindo e radioso sorriso, típico da inocência. Sorrias porque sim, apenas e unicamente por estares grata, por estares aqui, viva, aos cuidados dos teus pais. 

Mais tarde, ainda criança, o teu sorriso tornou-se cada vez mais tímido, mais subtil e apagado, como se não quisesses que dessem pela tua existência. Chegaste a pensar: "são os outros que me tiram o sorriso, com as suas observações, juízos de valor ". Mas agora sabes que não. Tu fazias tudo isso a ti mesma, nunca foram os outros, mas tu que boicotaste o teu sorriso. 

O tempo passou e o teu sorriso começou a servir como máscara dos teus pensamentos. Escondias-te atrás do teu sorriso, tímido e subtil, desejando que ninguém te lesse os olhos. Tu própria te auto descreveste como: "a outra face - aparentemente alguém feliz...".

O que é que te faltava? Perguntaste a ti mesma. E foste encontrando razões para as tuas faltas.  E acreditaste piamente que assim era. Na verdade, nunca te faltou nada; na realidade, tu tens tudo dentro de ti. A única e mesma coisa que sempre te faltou foi consciência. Consciência de que és um ser único no universo, o teu sorriso é igualmente único, radioso, inocente e maroto, simultaneamente. O teu sorriso é: "o teu cartão de visita", como alguém te disse certo dia.  E  ele só te pede que o ames, que o acolhas, que o uses mais vezes, para que assim possas acordar o teu verdadeiro eu, aquele da criança que foste,  deitada naquele berço, que simplesmente olhava e sorria, grata por estar viva, grata por estar aqui, grata por ser quem sou. 

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publicado às 23:31


por Dina Martins, em 30.08.19

Tango

No teu sorriso eu dancei, envolvida nos teus braços. O teu comando firme, mas meigo fez-me deslizar pelo salão tal como um cisne desliza na água calma de um lago. De repente, a mudança de ritmo inspira-te uma sacada que interrompe a fluidez dos movimentos, mas aumenta a sensualidade desta dança. Enrosco, por breves segundos, a minha perna na tua, antes de deixá-la fluir livre e solta.

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Só nós dois neste momento, no calor do abraço que nos envolve. 

Correspondo rapidamente aos teus comandos, como se estivesse a ler a tua mente sem, no entanto, perder a individualidade dos meus floreios.

A música continua a tocar e nós, livres, rodopiamos pelo salão ao som deste tango. Para mim, dançaria para todo o sempre. 

A música parou; chegámos ao fim da tanda, naquele final de tarde onde o sol brilhava alegremente pela cortina entreaberta. 

Abracei-te fortemente e, em sintonia deixámos o salão ao som da cortina estridente que agora se ouvia. 

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publicado às 19:14


por Dina Martins, em 30.08.19

Bolo da nêga maluca

Hoje as palavras voltam a trazer o sabor adocicado do chocolate e a memória de bons momentos de amizade.

Após uma longa e exaustiva caminhada pelas passadeiras da Ilha da Armona chego ao meu destino, acompanhada da minha bagagem para o fim de semana. Ao meu lado, uma amiga de infância que segue comigo até hoje no caminho da vida. 

"Surpresaaaa!!!" Gritam elas de dentro de casa. O entusiasmo ouve-se pela vizinhança. Avanço atordoada e surpreendida com a calorosa receção e começo a sentir o cheirinho inconfundível do bolo de chocolate, ainda quente o suficiente para as velas de aniversário se afundarem nele, dando motivo para umas sonoras gargalhadas. O começo de um agradável fim de semana de alegria e amizade; loucuras, mil, típicas de jovens de dezanove, vinte anos. 

Atualmente, este bolo continua a fazer as delícias de amigos, colegas de trabalho e outras que tiveram oportunidade de saboreá-lo.

Grata à jovem "pasteleira" que, sem me conhecer ainda, se prontificou a confecioná-lo e, posteriormente, cedeu a receita. 

 

Bolo da “Nêga” maluca
Ingredientes:
- 2 Chávenas de açúcar                                    - 2 Chávenas de água a ferver
- 2 Chávenas de chocolate em pó                   - 1 Chávena de óleo
- 4 Chávenas de farinha de trigo                    - 4 Colheres (sopa) de fermento em pó
- 2 Ovos

Preparação:
- Misturar todos os ingredientes em pó. Depois adicionar os ovos e o óleo e, por ultimo, a água quente.
- Untar o tabuleiro com manteiga e polvilhá-lo com farinha. Deitar a massa e levar a forno quente, cerca de 15 a 20 minutos.
Cobertura
Ingredientes:
- 2 Chávenas de açúcar - 6 Colheres (sopa) de chocolate em pó
- 6 Colheres (sopa) de manteiga - 6 Colheres (sopa) de leite

Preparação:
- Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume. Mexer até formar um creme grosso.
- Colocar o creme sobre o bolo quente.
Sugestão: Partir a fatia de bolo e cobri-la com natas batidas ou chantilly.

 

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publicado às 18:40


por Dina Martins, em 28.08.19

Noite

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Aos catorze, quinze anos esta era a minha visão romantizada da noite:
“Noite, manto negro de veludo onde as estrelas cintilam alegremente.
Tu, que és a rainha da escuridão, com esse teu ar majestoso, assustas os pequenos seres que por ti passam.
Quando o luar ilumina os casais de pombos que no jardim pousam para namorar, pareces sorrir e tornas-te mais clara, bela e macia.
Quando o céu se encontra estrelado, tu és um longo vestido negro coberto de diamantes.
Por agora despeço-me amiga noite, porque vem aí o dia.”

Atualmente não te vejo assim amiga noite. No teu desabrochar ao longo do tempo vejo-te nasceres violeta, no final de um dia de levante; evoluir para azul índigo e, até no teu negro mais profundo, em dias de lua nova, vejo as cores do arco-íris enquanto sonho com as minhas aventuras e desventuras. Envolvente tu és; e a tua proteção é serena, calma, resiliente. Trazes tranquilidade ao meu ser, para que possa viajar por caminhos infinitos e invisíveis ao olhar humano, sem medo, sem culpa, em segurança.

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publicado às 19:09