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por Dina Martins, em 24.12.20

O que Diz a Bela

O Que Diz o Monstro:

 “Tu és aquela gaivota que quer voar mais além.

Que busca em sua volta a felicidade e o bem.

A tua energia vibra como luz forte no escuro.

É algo que me cativa, apaga o meu lado obscuro.

Agradeço-te porque me fizeste uma pessoa mais positiva.

Pintaste meu ser agreste de cor, emoção e vida…”

 

O Que Diz a Bela:

Escrevi aquele texto há cerca de vinte anos atrás, quando o monstro que me dominava pensava que não tinha valor, que era feio, desinteressante e não merecia ser amado. Enfim… ele era o monstro e a sua monstruosidade era tal que queria o amor do exterior sem se amar a si mesmo.

Hoje reescrevo a minha história; depois de quase três anos de viajem ao interior de mim mesma, depois de muitos confrontos com o monstro que habita dentro de mim. Atrevo-me a dizer, que habita dentro de cada ser humano; aquele que vive na sombra, que é a sombra, sente-se mal por ser sombra, mas prefere lá continuar.

Hoje, nesta véspera de Natal atípica, sinto-me tal qual Fénix, a renascer das cinzas. Foi um processo lento, difícil, doloroso? Sem dúvida que sim. Mas valeu a pena, vale sempre a pena ir às entranhas de mim mesma para recuperar o meu poder pessoal, apaziguar o monstro, que aos poucos se transformou em monstrinho de tanto amor que recebeu, para despertar a mulher poderosa, maravilhosa e iluminada que sou; dotada de capacidades únicas e inconfundíveis.

Na realidade, cada um de nós é um ser único e iluminado, basta aceder à essência, à sua energia original.   

Dúvidas e medos, continuam a aparecer; é para isso que cá estamos, nesta experiência humana, para nos confrontarmos com as nossas sombras, tomarmos consciência delas e limpá-las, em amor e perdão. Agora o desafio é, ir além dos medos e dúvidas, e arriscar, arriscar sentir emoções maravilhosas, trilhar novos caminhos, viver aventuras excitantes. Sem esse risco, a vida não tem sabor, não há crescimento, não há aprendizagem.

Se nos ancoramos, para o resto da nossa existência humana, às mágoas do passado, ficamos estagnados, perdemos a nossa luz interior, simplesmente deixamos de crescer, apenas envelhecemos, à espera da morte inevitável e de outra oportunidade para ter outra vida após nascer de novo.

A oportunidade é agora! A vida é preciosa demais para ficarmos à espera, agarrados ao passado. Nada é garantido. A única garantia que temos é aqui e agora, enquanto ainda estamos cá, neste planeta. O desafio é mesmo esse, não nos acomodarmos a uma “vidinha”, responsabilizarmo-nos pelas nossas mágoas e agradecermos àqueles que nos fizeram sentir magoados; fez parte do acordo de crescimento mútuo, da lição que deverá ficar aprendida. A partir daqui, é seguir caminho, em busca de mais crescimento, de novas aprendizagens. Garanto-vos, por experiência própria, que a dada altura desta maravilhosa jornada, começamos a atrair experiências, aprendizagens e pessoas cada vez mais gratificantes, a viver cada vez mais momentos de pura alegria, a sentir que realmente a vida é significativa.

Se continua a haver dor? Logicamente que sim, faz parte do processo. Mas até a maneira como encaramos a dor é diferente, porque já sabemos porque é que dói, já conseguimos limpá-la em tempo real e assim, o sofrimento reduz-se a cinza, transmutada em luz, que alimenta a chama pessoal, deixando-nos curados, em amor.

O grande desafio é este, viajar ao interior do próprio ser, vencer as contrariedades e infortúnios dos tempos atuais e renascer em amor, puro e incondicional.

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publicado às 14:46


por Dina Martins, em 08.11.20

Saudades

Saudades de dançar; deslizar pelo salão, abrir as asas e voar, rodopiar até perder o norte. Deixar-me envolver pela magia do momento; a troca de sorrisos, os olhares cúmplices que se cruzam, no desafio mútuo de se entenderem no desenrolar da dança, em sintonia.

Saudades da imensa alegria que a dança me transmite; a satisfação de sentir a vida no bater de coração acelerado, após o ritmo frenético de uma salsa ou da emoção calorosa de um tango.

Saudades até de sentir as pernas bambas, os pés a latejar, depois de um serão bem regado de dança.

Saudades dos dançarinos exímios com quem tive o privilégio de dançar; dos “pés de chumbo” que corajosamente se esforçavam por pôr em prática todas as suas lições.

Não há palavras com as quais consiga descrever todas as sensações que a dança desperta, quando dançada de coração; leveza, satisfação, plenitude, entrega, magia, são apenas uma amostra dentro do misto de emoções “vividas à flor da pele”.

Aguardo ansiosamente pelo regresso à liberdade de exprimir-me por meio de movimentos harmoniosos, na sensualidade de uma dança.

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publicado às 20:27


por Dina Martins, em 01.11.20

Lua Azul

Final de tarde de Halloween para muitos que adotaram os costumes de outras bandas do mundo. Para mim apenas uma linda tarde de sábado, com um Sol de outono maravilhoso, convidando a mais uma caminhada, como tantas que tenho feito na sua presença.

Deambulei pela periferia da cidade meio deserta, rumo ao destino e objetivo a que me propus. Caminhei, atenta aos sons, às alterações da paisagem urbana, às poucas pessoas com quem me cruzei. Segui em frente, sem paragens ou hesitações, focada no meu objetivo de jornada – fotografar a sede do Parque Natural da Ria Formosa, imaginando-me como alguém que pela primeira vez visita este local.

Cheguei ao meu destino; apresentei-me junto do segurança como residente na localidade e aí começou a minha aventura. Sem me aperceber fui transportada para outra dimensão deste mesmo lugar; junto do segurança apareceu um enorme e anafado gato, de pelagem bicolorida de um branco luminoso e um negro intenso. Enquanto se roçava nas pernas do seu companheiro humano, subtilmente abriu-me o portal daquela floresta encantada, que só eu conseguia vislumbrar.

Tal como “Alice no País das Maravilhas”, segui viajem pelas entranhas daquele lugar, explorando cada recando, observando seres mágicos que esvoaçavam à minha volta, sentido cada odor único que a suave humidade daquele final de tarde acentuava, a melodia das águas que escorriam pelos regatos do sapal, o aroma quente da perpétua das areias, a frescura do pinhal. O Sol veio despedir-se, brindando-me com os seus raios alaranjados.

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Poucos minutos depois cumprimentou-me a penumbra, deixando-me um pouco assustada, pois transportou-me para a vastidão de locais mais sombrios daquela floresta mágica. Parei na lagoa de água doce, para me tranquilizar e observei as aves que já se preparavam para descansar, numa tremenda algazarra que me deixou curiosa. Fechei os olhos, agucei a minha terceira visão e percebi o porquê daquela gritaria. Animadamente, elas comunicavam com seres luminosos, de todas as cores, descrevendo as suas façanhas daquele dia. Estavam alegres por estarem vivas, por lhes ser permitido cuidar amorosamente das suas crias durante a época estival, por se sentirem protegidas naquele recôndito e agradeciam, agradeciam entusiasticamente àqueles seres de luz, por as escoltarem.

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Abri os olhos e verifiquei que já conseguia avistar a Lua no azul intenso do céu. Uma Lua redonda, de um dourado esbranquiçado brilhante; estava distante e, por isso, parecia mais pequena que a Lua cheia a que estamos habituados.

A Lua Azul de Halloween, no seu apogeu de distanciamento da Terra, acompanhou-me durante o resto do meu percurso pela magia da escuridão, tranquilizando e aquietando a minha mente. Terminei a tarefa de “fotografa da natureza” e decidi estar na hora de regressar à dimensão da realidade humana. Oiço o som do miado do “gato das botas”, desta vez invisível aos meus olhos, e atravesso o portal em direção a casa, tendo a minha amiga Lua como guarda-costas discreta.

Durante o percurso de retorno cruzei-me com personagens da época medieval; recebi o sorriso do cavaleiro medieval, alto, imponente, de longa cabeleira e barba brancas, que seguia feliz, abraçado à sua dama de tempos longínquos, de cara rosada e tranças brancas, naturais da idade. Acompanhavam-nos as respetivas aias, que os escoltavam, atrás.

Perguntei a mim mesma se estaria ainda na dimensão do "País das Maravilhas"! Talvez sim; afinal de contas, apesar de não dar grande importância à data, ali estava eu, na noite de Halloween, iluminada pela mágica Lua Azul. Conclui que, estando desperta e disponível, posso viajar para outras dimensões continuando em mim mesma. Tudo se torna possível quando acreditamos na nossa mais elevada “muitíssidade”!

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publicado às 15:37


por Dina Martins, em 15.10.20

Alguém como Tu

Apareces nos meus sonhos, mas eu não sei quem és. Juntos caminhamos e disfrutamos da beleza de paisagens paradisíacas; dançamos até ao nascer do Sol, distribuindo sorrisos da mais absoluta e completa satisfação.

Onde é que te encontras no meu mundo terreno? Terei sempre de viajar para outra dimensão para estar contigo? Ou fazes parte de uma realidade que ainda desconheço?

Quem és tu? Não te conheço; não sei o teu nome. Será assim tão importante saber a tua identidade?

Recordo momentos que partilhámos juntos; cada dança, cada olhar. Ao amanhecer tudo se esfuma; abro os olhos e apenas me resta a doce memória de outra realidade multidimensional.

Gostaria que fizesses parte da minha vida terrena; e que pudéssemos caminhar juntos, aqui e agora, neste planeta a que nós humanos chamamos Terra.

Serei eu algum dia presenteada com a surpresa de te encontrar nesta minha jornada terrena? Ou és tão somente uma fantasia?

Quero acreditar que és real e os sonhos que tenho são apenas o portal por onde viajo para a dimensão onde tu existes. Os nossos animais de estimação acompanham-nos nas nossas peripécias. Serão eles os nossos guias desta maravilhosa jornada?!

Fico saudosa sempre que chega a hora de regressar; fico expectante pelo momento do nosso encontro, por vivermos, entusiasmados por estarmos novamente juntos, singulares e excitantes aventuras, por mundos nunca antes navegados.

Serás apenas um sonho ou a doce verdade multidimensional? 

Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência?

Até onde nos levará o nosso corpo etéreo? ...

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publicado às 07:55


por Dina Martins, em 08.09.20

A minha Gata Azul

A minha gata azul tem poderes mágicos que só eu conheço! Aparentemente um felino igual a tantos outros gatos domésticos. Quentinha, fofinha, ainda pequenina e de pelo muito macio. Mas de noite, quando todos dormem, a magia acontece. Os seus olhos redondos, muito brilhantes e vivaços, irradiam uma luz de um verde tão intenso que ofusca a quem consegue ver; e o seu pelo cinza reveste-se de uma bolha de luz azul real, que a envolve e a faz flutuar. Nesta nave azul ela viaja para mundos completamente desconhecidos à vista humana.

Na outra noite, estava eu sem sono, quando ouvi um zumbido, acompanhado de um reflexo azul brilhante, vindo da cozinha. Levantei-me, curiosa com o sucedido e fui ver o que se passava. Qual não foi o meu espanto ao vê-la suspensa, envolta naquela bolha de luz! Imediatamente apercebeu-se da minha presença, tentando dissuadir-me desta visão; “tu estás a sonhar…”, disse ela, “… volta para o teu quarto que amanhã tudo será como antes.” Escancarei a minha boca e esbugalhei os olhos de tão estupefacta que fiquei! “Mas tu falas?!”, perguntei-lhe atónita. “Não preciso falar para comunicar contigo; só tu consegues ouvir-me aqui e agora.”, respondeu ela assertivamente. “Para onde vais a estas horas? Que luz é essa? Quem és tu?” As perguntas choviam na minha mente, sem sequer parar para questionar sobre a minha lucidez. “Tem calma…”, disse ela, “… eu viajo e volto todas as noites e ninguém se apercebe. Queres vir comigo hoje? Sinto que não vou conseguir adormecer-te.” “Para onde vamos?”, perguntei eu sem pôr em causa a lógica de tudo o estava a acontecer. “Guarda a tua curiosidade para daqui a um instante, quando lá chegarmos…”, respondeu ela, “… fecha os olhos, respira fundo e confia…”, continuou. Fechei os meus olhos por breves segundos e, sem saber muito bem como, lá estávamos as duas a flutuar no meio de um vale verdejante, suspenso no ar, para o centro do qual confluía a água de imensas cascatas que o circundavam e, no centro, mesmo por baixo, existia um enorme lago de água cristalina. Do interior do meu casulo luminoso conseguia sentir a brisa húmida e fresca dos milhares de gotas que salpicavam tudo em redor. A vegetação era densa e luxuriante; ouvia-se também o som longínquo do chilrear de diferentes aves. Todo o cenário parecia tão idílico e sereno, algo irreal.

 “Que sítio é este?”, perguntei. A sua resposta foi tão calma quanto o ambiente que nos envolvia: “Este é o meu verdadeiro mundo, o meu planeta… foi daqui que eu vim, para fazer parte da tua vida. É aqui que regresso todas as noites para recarregar energias e diluir os ódios, raivas, frustrações ou desilusões, tristezas e vitimizações, que absorvo enquanto estou convosco, humanos, levando comigo amor e bem-estar aos vossos corações. Aqui vivemos em harmonia e comunhão com a natureza; retiramos dela apenas o que precisamos e oferecemos a matéria dos nossos corpos, quando desencarnamos, em retribuição e gratidão de tudo o que nos foi doado durante a nossa vida terrena. Vivemos segundo as leis da abundância, gratidão e respeito. Todas as nossas ações, enquanto habitamos convosco, têm um propósito universal: o bem supremo. A vossa perceção humana faz de nós simples animais domésticos, irracionais que, por vezes, destroem ou sujam os vossos bem materiais, enchem-vos a roupa de pelos, ensurdecem-vos com os miados, latidos ou outros ruídos. Na realidade tentamos comunicar convosco, mas os vossos sentidos estão obstruídos por coisas mundanas; vocês simplesmente escolheram não acreditar e educam-se uns aos outros desta forma. Como não nos “ouvem”, nós espelhamos algo que vocês preferem ser, inconscientemente, o que vos desperta exatamente as emoções que deturpam os vossos sentidos; assim podem expurgar tudo aquilo que adultera a vossa perceção.”

“O quê?! Todos os animais são como tu?!”, exclamei, “então porque é que deixaste o teu mundo para te refugiares no meu?” Novamente respondeu neutralmente, sem julgamentos ou exasperações: “Se parares de racionalizar e escutares o que diz o teu espírito, vais encontrar as respostas que procuras. Sim, todos os animais domésticos nasceram no vosso planeta com a missão, não só de vos proteger como também de vos ensinar o que é viver em amor, despertos para a intuição inata que possuem. É esse o nosso propósito, ajudar-vos a encontrarem o vosso caminho, a missão a que se propuseram enquanto seres humanos. Como poderás deduzir, se nos restringíssemos a viver neste pequeno paraíso deixaríamos de ter propósito para viver, ficaríamos estagnados, tal como vocês e, em pouco tempo, a energia deixaria de fluir, tudo deixaria de ser como tu vês agora. É esta a nossa história e aceitamos a nossa função com gratidão e resiliência, mesmo que tenhamos de sofrer por doença, abandono ou maus tratos. Fazemos tudo por amor a vocês, para que cresçam e evoluam a vibrar de acordo com a vossa essência.”

Fiquei de tal forma emocionada com tudo o que escutei que não consegui proferir nem mais uma palavra.

“Está na hora de regressarmos…”, transmitiu-me, “… fecha os olhos, respira fundo e confia. Este será o nosso segredo; nenhum outro tutor, até então, teve o privilégio de viajar connosco. Na generalidade, ainda não estão preparados para acreditar. Até trazer-te foi arriscado.”

Fechei os olhos, sem questionar; num ápice de segundo, quando voltei a abri-los, vislumbrei o lusco fusco da manhã, que começava a entrar pela pequena greta da persiana mal fechada do meu quarto. A minha gata azul dormia tranquilamente a meus pés, enrolada em si própria. Terá sido um sonho? Fica ao critério de quem acreditar…

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publicado às 18:39


por Dina Martins, em 04.08.20

Quando me tocam a alma...

Quando me tocam a alma… todo o Universo flui dentro de mim. Fecho os olhos e sinto-me como parte do todo, como se o limite do corpo não existisse, como se as partículas que o constituem comunicassem umas com as outras e com o todo simultaneamente, emitindo luz. Nesse preciso momento elas deixam de ser partículas e são apenas energia.

E o que é necessário para me tocarem a alma? Apenas e tão só amor incondicional; um gesto simples como escovar o pelo do meu gato, o qual dá cada dia da sua vida por mim, apenas por mim, pelo seu serviço incondicional ao meu crescimento, ao meu bem-estar. Não vou dizer que não me causa dor vê-lo simplesmente dar, dar a sua saúde, a sua vida, para a minha proteção, quando eu nada consigo fazer para o proteger  verdadeiramente, para lhe trazer de volta a saúde que já perdeu. O que faço eu para retribuir? Escovo o seu pelo, algo que ele adora. Aquele pequeno gesto, aqueles minutos de atenção, de amor, que lhe dedico enquanto come, é para ele algo único e especial; e ele aprecia como se fosse o maior tesouro que lhe é oferecido; come mais um pouco, retribuindo o meu gesto com umas “lambidelas e marradinhas” na mão que o escova. Para ele aquele gesto é amor, ao qual corresponde com amor. Instintivamente ele vive para mim e por mim, a sua tutora com a qual honra o seu acordo de alma enquanto cá estiver neste mundo, ao serviço, ao meu serviço, sem nada exigir em troca. Por isso, tudo o que recebe é para ele extraordinário. E porquê? Porque ele nada espera, nada exige, apenas cumpre a sua função silenciosamente, em amor, até ao dia de partir.

E a ti, o que é que te toca a alma? Não precisas dizer-me; guarda para ti. Mas atenção a algo muito importante! Não confundas “tocar de alma” com “tocar de ego”. Não confundas amor com apego. Muito do que nós esperamos dos outros, por vezes até exigimos, silenciosamente ou não, não é amor mas apego. A satisfação que sentimos quando alguém que supostamente amamos faz aquilo pelo qual há muito tempo esperamos, é apenas o acariciar do nosso ego, as chamadas “festas no ego”, as quais sabem tão bem neste nosso estado de carência e inconsciência em que vivemos.

Então, como distinguir o “tocar de ego” do “tocar de alma”? Fecha os olhos e sente, por breves momentos, por minutos, o que te fizer mais sentido. Sentes-te em conexão com o todo, com o Universo? Ou, o estado em que estás depende do que é que os outros vão fazer a seguir, de acordo com as tuas espectativas? Ou, naquele momento, de olhos fechados, simplesmente estás, sem os limites ou limitações do teu corpo, sem as exigências do teu ego? Entendes agora a diferença?

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publicado às 22:41


por Dina Martins, em 20.07.20

Celebração

Hoje celebro mais uma vez a vida. A vida que me foi dada como presente raro e único. A gratidão é imensa e sentida desde o mais profundo canto do meu ser, àqueles dois seres maravilhosos que, num ato de amor incondicional, me colocaram neste planeta e fizeram por mim tudo o que de melhor sabiam e podiam, em amor, sempre em amor…

Foi mais um ano de desafios que superei, outros que ainda estão por transpor; algumas viagens ao interior de mim mesma; a descoberta de novos caminhos, de novas oportunidades de crescimento; de lições a aprender neste novo mundo em mudança no qual navego. Não foi um ano fácil; foram muitas as mudanças, muitas das quais ainda estão a acontecer dentro e fora de mim, num planeta cansado, inquieto, que anseia mudar para se elevar, apesar da resistência humana em ganhar consciência. Mas não é dos outros que venho falar hoje. É de mim, do meu caminho árduo durante todos estes anos em que cá estou neste planeta. Fácil, não é, nunca foi, muito menos durante os anos em que andei perdida de mim; mais todos aqueles em que não sabia que caminho escolher; e tantos outros em que andei a vaguear pelas distrações que a vida humana nos proporciona. Agora eu sei que o difícil valeu a pena, que tudo foram lições, aprendizagens, que continuarão a haver enquanto houver vida.

Neste momento, em que já subi mais de metade da montanha da vida, consigo ter uma visão mais ampla e neutra de mim mesma, daquilo e daqueles que me rodeiam; sei que esta viagem ao centro de mim ainda não acabou; será necessário trepar, partir, suar, escalar as rochas mais altas e, simultaneamente, mais profundas, chorar, reviver e curar. Depois de tudo isto, agradecer e abraçar-me, por cada passo que dei, por cada labirinto que percorri, pelos passos que continuo a dar, pelos muros que derrubo, pelas vitórias conseguidas e… por tudo o que ainda virá.

Agora sei o que é a verdadeira gratidão; agora sei o que é ter uma vida significativa; agora sei o que é fazer a diferença e sei que sou diferente, todos nós somos, diferentes e únicos. Vocês sabem disso?!

Sei qual é o meu propósito, sei porque é que aqui estou; sei que vai ser difícil, sempre foi, mas vale sempre a pena.

Por tudo isto, em gratidão ao Universo, celebro hoje a vida, a minha vida significativa e preciosa.  

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publicado às 22:37


por Dina Martins, em 07.06.20

Gratidão

A primeira semana de junho… para a maioria, foi só mais uma semana; um dia igual ao outro, as notícias da situação do COVID-19, o trabalho que já cansa... e pouco mais. Para mim foi a semana em que dei os primeiros passos deste novo ciclo, ainda muito pequeninos, mas coloquei em ação saberes que adquiri. Venci medos, inseguranças e confiei, acreditei em mim; mais do que isso, acreditei ser capaz de trilhar este novo caminho que se mostra à minha frente, radioso, repleto de aventuras, mas também cheio de novos desafios completamente desconhecidos.

Hoje ultrapassei o meu primeiro desafio, deixei fluir, pedi ajuda ao Universo e recebi deste tudo o que mereço. A sensação de dever cumprido, de tudo estar no sítio certo, em harmonia com o que é para mim, é fantástica! E, se tinha dúvidas em relação a seguir este caminho, estas dissiparam-se hoje, tornando o percurso mais claro, sem nevoeiro.

Hoje sinto-me mais segura das minhas escolhas, do trajeto a seguir, sem pressas, vaidade ou ambições; apenas deixando fluir e aproveitando as oportunidades que a vida coloque no meu caminho.

Hoje cresci mais um pouco, amadureci, entrei em ação. A sensação de gratidão é imensa e preenche-me de um modo tal, que não tenho palavras para a descrever. Quero sim deixar o agradecimento de coração a quem me permitiu dar o primeiro passo desta minha nova caminhada. Espero sinceramente ter contribuído ou vir a contribuir para o seu crescimento pessoal e abertura de consciência. Para mim marcou a diferença entre um estado de: “não sei se é bem isto que eu quero…”, para a consciência de: “é assim que eu vou conseguir ajudar-me… ajudando os outros.”

Assim iniciei este mês de junho, com uma semana bastante atribulada, cheia de novidades, algumas desagradáveis, mas com Consciência, Confiança, Fé e Gratidão.

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publicado às 15:50


por Dina Martins, em 28.05.20

Criança Interior

Durante algumas horas, numa tarde quente de maio, voltei a ser criança. Brinquei, pulei, corri, dancei, livre, despreocupada, com outras crianças que ali estavam, com o mesmo propósito, viver.

A inocência dos nossos gestos, das nossas brincadeiras, encheu o meu coração de luz; alegria imensa que se propagou por todo o meu corpo e me fez rir, dançar e saltar.

Olhar para as outras crianças e vê-las igualmente em luz, felizes, deixou-me ainda mais repleta daquela imensa alegria que, naquela tarde de maio, transbordava por todos os poros da minha pele.

A música acalmou, tornou-se mais lenta, sentimental e nós, crianças em luz, ficámos, simplesmente ficámos, no olhar um do outro, num agradecimento mútuo por estarmos ali, presentes, no aqui e no agora, tão só e simplesmente a olhar, a contemplar a beleza, nos olhos do outro. No meu ser ainda reside a letra daquela música: "Alma, deixa eu ver sua alma, o Universo da alma..." Foi realmente um encontro de almas, livres, leves, inocentes, repletas de amor para dar e receber.

De coração cheio fiquei... senti acarinhada a minha criança interior e dei graças por tê-la ouvido chamar por mim, por tê-la mimado sem vergonha ou preconceito, sem escondê-la dos outros; muito pelo contrário, coloquei-a à vista de todos e gritei do interior do meu ser: "Vejam-me! Aqui estou eu, no melhor de mim; esta é quem eu sou, sem subterfúgios, sem medos, sem máscaras ou personagens. Esta criança sou eu, o verdadeiro eu." E é tão maravilhoso voltar a ser eu novamente! É um regresso a casa, à minha verdadeira e única casa, que mora dentro de mim.

No final da tarde foi o momento de me despedir das outras crianças e seguir o meu caminho. Se chorei?! Chorei certamente, tal como todas as crianças choram quando se despedem; mas naquele final de tarde, chorei de alegria, de emoção e gratidão, aos outros e a mim mesma, por me ter permitido à experiência, por me ter permitido crescer, sem, no entanto, ofuscar a minha criança interior.

Quero libertá-la mais vezes; fico expectante, a aguardar a próxima oportunidade, de brincar com outras crianças, desta forma genuína e plena de verdade, em amor.

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publicado às 14:55


por Dina Martins, em 28.05.20

Recomeço

Ontem terminei mais uma etapa do meu caminho; fechou-se um ciclo. Ultrapassei medos, desafiei limites, escalei mais uma parte da montanha da vida.

Hoje é um novo começo, tantas oportunidades me são mostradas, outros caminhos possíveis ou a continuação do mesmo, mais consciente, segura. Novos desafios, certamente; novas dificuldades, também. Portas abertas para um novo mundo à minha espera.

Ontem dancei, pulei, dei e recebi, sem intenção alguma, sem motivo aparente, sem preocupação, apenas a celebrar a vida, apenas a experienciar o momento.

Hoje fico, apenas fico, quieta, tão só e unicamente a apreciar tudo o que já percorri, as sementes que plantei, os frutos que recolhi. Hoje é dia de ficar... em paz, em harmonia com o Universo, só a desfrutar desta parte da minha longa e turbulenta caminhada.

Agradeço àqueles que me acompanharam durante esta etapa, aos que me guiaram, aos que caminharam ao meu lado, aos que ouviram os meus desabafos nos momentos de cansaço e desespero. Moram todos no meu coração.

Hoje simplesmente fico, observo, faço o balanço, em amor e gratidão; reunindo forças para começar uma nova etapa que se aproxima; em busca de crescimento, de saber e de consciência. 

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publicado às 13:55